
A HERANÇA
Venância tinha dois sobrinhos, Emílio
e Marcos; o primeiro de vinte e oito, o segundo de trinta e quatro anos. Marcos
era o seu mordomo, esposo, pai, filho, médico e capelão. Ele cuidava-lhe da
casa e das contas, aturava os seus reumatismos e arrufos, ralhava-lhe às vezes,
brandamente, obedecia-lhe sem murmúrio, cuidava-lhe da saúde e dava-lhe bons
conselhos. Era um rapaz tranqüilo, medido, geralmente silencioso, pacato,
avesso a mulheres, indiferente a teatros, a saraus. Não se irritava nunca, não
teimava, parecia não ter opiniões nem simpatias. O único sentimento manifesto
era a dedicação a D. Venância.
Emílio era em muitos pontos o
contraste de Marcos, seu irmão. Primeiramente, era um dândi, turbulento,
frívolo, sedento de diversões, vivendo na rua e na casa dos outros, dans le monde. Tinha cóleras, que duravam
o tempo das opiniões; minutos apenas. Era alegre, falador, expansivo, como um
namorado de primeira mão. Gastava às mãos largas. Vivia duas horas por dia em
casa do alfaiate, uma hora em casa do cabeleireiro, o resto do tempo na Rua do
Ouvidor; salvo o tempo em que dormia em casa, que não era a mesma casa de D.
Venância, e o pouco em que ia visitar a tia. Exteriormente era um elegante;
interiormente era um bom rapaz, mas um
verdadeiro bom rapaz.
Não tinham pai nem mãe; Marcos era
advogado; Emílio formara-se em medicina. Por um alto sentimento de humanidade,
Emílio não exercia a profissão; o obituário conservava o termo médio usual.
Mas, tendo um e outro herdado alguma coisa dos pais, Emílio mordia
razoavelmente a parte da herança, que aliás o irmão administrava com muito
zelo. Moravam juntos, mas tinham a casa dividida de maneira que não podiam
tolher a liberdade um do outro. Às vezes passavam-se três ou quatro dias sem se
verem; e é justo dizer que as saudades primeiro feriam Emílio do que ao irmão.
Ao menos era ele quem, depois de larga ausência, se assim podemos chamar-lhe,
entrava mais cedo para casa a esperar que Marcos viesse da casa de D. Venância.
— Por que não foste à casa de titia?
perguntava Marcos, logo que ele dizia estar a esperá-lo durante muito tempo.
Emílio erguia os ombros, como
rejeitando a idéia desse sacrifício voluntário. Depois, conversavam, riam um
pouco; Emílio referia anedotas, fumava dois charutos, e só se levantava quando
o outro confessava estar a cair de sono. Emílio, que não dormia antes das três
ou quatro, nunca tinha sono; lançava mão de um romance francês e ia devorá-lo
na cama até a hora habitual. Mas esse frívolo tinha ocasiões de seriedade; numa
doença do irmão, velou-lhe longos dias à cabeceira, com uma dedicação
verdadeiramente materna. Marcos sabia que ele o amava.
Não amava, entretanto, a tia; se
fosse mau, podia detestá-la; mas se não a detestava, confessava intimamente que
ela o aborrecia. Marcos, quando o irmão repetia isso, tratava de o reduzir a
melhores sentimentos; e com tão boas razões que Emílio, não se atrevendo a
contestá-lo e não querendo sair de sua opinião, recolhia-se a um eloqüente
silêncio.

Ora, D. Venância encontrava essa
repulsa, talvez pelo excesso mesmo de seu afeto. Emílio era o predileto de seus
sobrinhos; ela adorava-o. A melhor hora do dia era a que ele lhe destinava a
ela. Na ausência falava de Emílio a propósito de qualquer coisa. Geralmente o rapaz ia à casa
da tia, entre as duas e três horas; raras vezes à noite. Que alegria quando ele
entrava! que afagos! Que intermináveis carinhos!
— Vem cá, ingrato, senta-te aqui ao
pé da velha. Como passaste de ontem?
— Bem, respondia Emílio sorrindo
contrafeito.
— Bem, arremedava a tia; diz aquilo
como se não fosse verdade. E quem sabe mesmo?
Tiveste alguma coisa?
— Nada, não tive nada.
— Pensei.
D. Venância tranqüilizava-se; depois
vinha um rosário de perguntas e outro de anedotas. No meio de umas e outras, se
via algum gesto de incômodo no sobrinho,
interrompia-se para perguntar se estava incomodado, se queria tomar alguma
coisa. Mandava fechar as janelas donde supunha que vinha ar; fazia-o trocar de
cadeira, se lhe parecia que a que ele ocupava era menos cômoda. Esse excesso de
cautelas e cuidados fatigavam o moço. Ele obedecia passivamente, falava pouco,
ou o menos que lhe era possível. Quando resolvia sair, tornava-se perfidamente mais alegre e carinhoso,
açucarava um cumprimento, punha-lhe mesmo alguma coisa do coração, e
despedia-se. D. Venância, que ficava com essa impressão última, confirmava-se
nos seus sentimentos a respeito de Emílio, a quem proclamava o primeiro
sobrinho deste mundo. Pela sua parte, Emílio descia as escadas mais aliviado; e
no coração, lá no mais fundo do coração, uma voz secreta sussurrava estas
palavras cruéis:
— Quer-me muito bem, mas é muito
amoladora.
A presença de Marcos era uma troca de
papéis. A acariciada era ela. D. Venância tinha seus momentos de enfado e de
zanga, gostava de ralhar, de bater no próximo.
Sua alma era uma fonte de duas bicas, vertia mel por uma e vinagre pela outra.
Sabia que o melhor meio de aturar menos, era não imitá-la. Calava-se, sorria,
aprovava tudo, com uma docilidade exemplar. Outras vezes, conforme o assunto e
a ocasião, reforçava os sentimentos pessimistas da tia, e ralhava, não com
igual veemência, porque ele estava incapaz de a fingir, mas na conformidade das
idéias dela. Presente a tudo, não esquecia, no meio de um discurso de D. Venância,
de lhe acomodar melhor o banquinho dos pés. Sabia-lhe os hábitos, e ordenava as
coisas de maneira que lhe não faltasse nada. Ele era a Providência de D.
Venância e o seu pára-raios. De mês em mês prestava-lhe contas; e nessas ocasiões
só uma alma forte podia resistir ao suplício. Cada aluguel trazia um discurso;
cada obra nova ou conserto produzia objurgatória. Ao cabo, D. Venância não
ficava com a menor idéia das contas, tão ocupada estava em desabafar o seu reumatismo;
e Marcos, se quisesse afrouxar um pouco a consciência, podia dar às contas certa elasticidade. Não o fazia; era
incapaz de o fazer.
Quem dissesse que na dedicação de
Marcos entrava um pouco de interesse, podia dormir com a consciência tranqüila,
pois não caluniava ninguém. Havia afeto, mas não havia só isso. D. Venância
possuía bons prédios, e tinha só três parentes.
O terceiro parente era uma sobrinha,
que morava com ela, moça de vinte anos, graciosa, doida por música e confeitos.
D. Venância também a estimava muito, quase
tanto como a Emílio. Meditava até casá-la antes de morrer; e só tinha dificuldade
em achar um noivo digno da noiva.

Um dia, no meio de uma conversa com
Emílio, aconteceu-lhe dizer:
— Quando te casares, adeus tia
Venância!
Esta palavra foi um raio de luz.
— Casar! pensou ela, mas por que não
com a Eugênia?
Nessa noite não cuidou mentalmente de
outra coisa. Marcos nunca a vira tão taciturna; chegou a supor que ela
estivesse zangada com ele. D. Venância não disse, durante essa noite, mais de
quarenta palavras. Olhava para Eugênia, lembrava-se de Emílio, e dizia consigo:
— Mas como é que não lembrei disso há
mais tempo? Nasceram um para o outro. São bonitos, bons, jovens. — Só se ela
tiver algum namoro; mas quem seria?
No dia seguinte sondou a moça;
Eugênia, que não pensava em ninguém, disse francamente que trazia o coração
como lho haviam dado. D. Venância exultou; riu-se muito;
jantou mais do que de
costume. Restava sondar
Emílio no dia seguinte.
Emílio respondeu a mesma coisa.
— Deveras! exclamou a tia.
— Pois então!
— Não gostas de nenhuma moça? não
tens nada em vista?
— Nada.
— Tanto melhor! tanto melhor!
Emílio saiu aturdido e um pouco
vexado. A pergunta, a insistência, a alegria, tudo aquilo tinha um ar pouco
tranqüilizador para ele.
— Quererá casar comigo?
Não perdeu muito tempo em
conjecturas. D. Venância, que, com os seus sessenta anos, receava qualquer
surpresa da morte, apressara-se a falar diretamente à sobrinha. Era difícil;
mas D. Venância passava por ter um gênio original, que é a coisa mais vantajosa
que pode acontecer à gente, quando quer passar por cima de certas
considerações. Perguntou diretamente a Eugênia se estimaria casar com Emílio;
Eugênia, que nunca pensara em tal, respondeu que lhe era indiferente.
— Indiferente só? perguntou D.
Venância.
— Posso casar.
— Sem vontade, sem gosto, só por
obedecer?...
— Oh! não!
— Velhaca! Confessa que gostas dele.
Eugênia não se lembrara disso; mas
respondeu com um sorriso e baixou os olhos, gesto que podia dizer muita coisa e nada. D.
Venância interpretou-o como uma afirmativa, talvez porque ela preferia a
afirmativa. Quanto a Eugênia, ficou abalada com a proposta da tia, mas não lhe
durou muito o abalo; foi tocar música.
De tarde pensou outra vez na conversa que tivera, começou a lembrar-se
de Emílio, foi ver o retrato dele que havia no
álbum. Realmente, entrou a parecer-lhe que gostava do moço. A tia, que o dizia,
é porque o percebera. Que admira? Um rapaz bonito, elegante, distinto. Era
isso; devia amá-lo; devia casar com ele.
de Emílio, foi ver o retrato dele que havia no
álbum. Realmente, entrou a parecer-lhe que gostava do moço. A tia, que o dizia,
é porque o percebera. Que admira? Um rapaz bonito, elegante, distinto. Era
isso; devia amá-lo; devia casar com ele.
Emílio foi menos fácil de
contentar-se. Quando a tia lhe deu a entender que havia uma pessoa que o amava,
teve um sobressalto; quando lhe disse que era uma moça, teve outro. Céus! um
romance! A imaginação de Emílio construiu logo vinte capítulos, cada qual mais
cheio de luas e miosótis. Enfim, soube que se tratava de Eugênia. A noiva não era de
desprezar; mas tinha o defeito de ser um santo de casa.
— E escusas de fazer essa cara, disse
D. Venância; eu já percebi que gostas dela.
— Eu?
— Não; hei de ser eu.
— Mas, titia...
— Deixa-te de partes! Já percebi. Não
me zango; pelo contrário, aprovo e até
desejo.
Emílio quis recusar de uma só vez;
mas era difícil; tomou a resolução de contemporizar. D. Venância, a muito
custo, concedeu-lhe oito dias.
— Oito dias! exclamou o sobrinho.
— Em menos tempo fez Deus o mundo,
redargüiu D. Venância sentenciosamente.
Emílio sentiu que a coisa era um
pouco dura de roer assim feita às pressas. Comunicou suas impressões ao irmão. Marcos
aprovou a tia.
— Também tu?
— Também. A Eugênia é bonita, gosta
de ti; titia faz gosto. Que mais queres?
— Mas é que nunca pensei em
semelhante coisa.
— Pois pensa agora. Em oito dias
pensarás nela e talvez acabes por gostar... Acabas com certeza.
— Que maçada!
— Não acho.
— É porque não é contigo.
— Se fosse era a mesma coisa.
— Casavas?
— No fim de oito dias.
— Admiro-te. Custa-me a crer que um
homem se case, assim como faz uma viagem a Vassouras.
— O casamento é uma viagem a
Vassouras; não custa mais nem menos.
Marcos disse ainda outras coisas
mais, no sentido de animar o irmão. Ele
aprovava o casamento, não só porque Eugênia
merecia, como porque era muito melhor que tudo ficasse em casa.
aprovava o casamento, não só porque Eugênia
merecia, como porque era muito melhor que tudo ficasse em casa.
Não interrompeu Emílio as suas
visitas cotidianas; mas os dias passavam-se e ele não se sentia mais disposto
ao casamento. No sétimo dia, despediu-se da tia e da prima, com uma cara
lúgubre.
— Qual! dizia Eugênia; ele não casa
comigo.
No oitavo dia, D. Venância recebeu
uma carta de Emílio, pedindo-lhe muitos perdões,
fazendo-lhe carícias sem fim, mas acabando por uma negativa franca.
D. Venância ficou desconsolada; tinha
feito nascer esperanças no coração da sobrinha, e não as podia realizar de
nenhuma maneira. Chegou a ter um movimento
de cólera contra o rapaz, mas arrependeu-se dele até morrer. Um sobrinho tão
amável! que recusava com tão bons modos! Era pena que não aceitasse, mas se ele
não amava, podia ela obrigá-lo ao casamento?
Suas reflexões foram essas, tanto à
sobrinha, que aliás não chorou, posto ficasse um pouco triste, como ao sobrinho
Marcos, que só tarde soubera da recusa do irmão.
— Aquilo é uma cabeça de vento! disse
ele.
D. Venância defendeu-o, como
confessou que se acostumara à idéia de deixar Eugênia casada e bem casada.
Enfim não se pode forçar os corações. Isso mesmo repetiu ela quando Emílio a
foi ver daí a dias, um tanto envergonhado da recusa. Emílio, que esperava
achá-la no mais agudo de seus reumatismos, achou-a risonha como de costume.
Mas a recusa de Emílio não foi aceita
tão filosoficamente pelo irmão. Marcos não achara a recusa, nem bonita nem
prudente. Era um erro e uma tolice. Eugênia era uma noiva digna até de um
sacrifício. Sim; tinha qualidades notáveis. Marcos atentou nelas. Viu que efetivamente a moça não
valia o modo por que o irmão a tratara. A resignação com que aceitava a recusa
era na verdade digna de respeito. Marcos simpatizou com esse proceder. Não
menos lhe doeu a dor da tia, que não alcançava realizar o desejo de deixar
Eugênia entregue a um bom marido.
— Que bom marido não podia ser ele?
Marcos seguiu esta idéia com alma,
com afinco, com desejo de acertar. Sua solicitude dividiu-se entre Eugênia e D.
Venância — o que era servir a D. Venância. Um dia entestou com o assunto...
— Titia, disse ele, oferecendo-lhe torradinhas,
eu desejava pedir-lhe um conselho.
— Tu? Pois tu pedes conselhos,
Marcos?
— Às vezes, redargüiu ele sorrindo.
— Que é?
— Se a prima Eugênia me aceitasse por
marido, a senhora aprovava o
casamento?
D. Venância olhou para Eugênia
espantada, Eugênia, não menos espantada do que ela, olhou para o primo. Este
olhava para ambas.
— Aprovava? repetiu ele.
— Que dizes? disse a tia voltando-se
para a moça.
— Farei o que titia quiser, respondeu
Eugênia olhando para o chão.
— O que eu quiser, não, tornou D.
Venância; mas confesso que aprovo, se for do teu gosto.
— É? perguntou Marcos.
— Não sei, murmurou a moça.
A tia cortou a dificuldade dizendo
que ela podia responder daí a quatro, seis ou oito dias.
— Quinze ou trinta, acudiu Marcos; um
ou mais meses. Meu desejo é que fosse logo, mas não desejo surpreender seu
coração; prefiro que escolha com tranqüilidade.
É assim que nossa boa tia deseja também...
D. Venância aprovou as palavras de
Marcos, e deu à sobrinha dois meses. Eugênia não disse sim nem não; mas no fim
daquela semana declarou à tia que estava pronta a receber o primo por esposo.
— Já! exclamou a tia, referindo-se à
curteza do prazo da resposta.
— Já! respondeu Eugênia, referindo-se
à data do casamento.
E D. Venância, que o percebeu pelo
tom, riu-se muito e deu a notícia ao sobrinho. O casamento efetuou-se daí a um
mês. As testemunhas foram D. Venância, Emílio e um amigo da casa. O irmão do
noivo parecia satisfeito com o resultado.
— Ao menos, dizia ele consigo,
ficamos todos satisfeitos.
Marcos ficou morando em casa, de modo
que nem retirava a companhia de Eugênia nem a sua. D. Venância tinha assim uma
vantagem mais.
— Agora o que é preciso é casar o
Emílio, dizia ela.
— Por quê? perguntava Emílio.
— Porque é preciso. Meteu-se-me isso
na cabeça.
Emílio não ficou mais amigo da casa
depois do casamento. Continuava a lá ir o menos que podia. Com os anos, D.
Venância ia ficando de uma ternura mais difícil de suportar, pensava ele. Para
compensar a ausência de Emílio, tinha ela o zelo e a companhia de Eugênia e
Marcos. Este era ainda o seu mestre e guia.
Um dia adoeceu deveras a sra. D.
Venância; esteve um mês de cama, durante o qual os dois sobrinhos casados não
lhe saíram da cabeceira. Emílio ia vê-la, mas só fez quarto na última noite,
quando ela ficara delirante. Antes disso ia vê-la, e saía de lá muito contra a
vontade dela.
— Onde está o Emílio? perguntava de
quando em quando.
— Já vem, diziam-lhe os outros.
O remédio que Emílio lhe dava era
bebido sem hesitação. Sorria até.
— Pobre Emílio! vais perder tua tia.
— Não diga isso. Ainda vamos dançar
uma valsa.
— No outro mundo, pode ser.
A moléstia agravou-se; os médicos
desenganaram a família. Mas antes do delírio, sua última palavra foi ainda uma
lembrança a Emílio; e quem a ouviu foi Marcos que cabeceava de sono. Se quase
não dormia!
Emílio não estava presente quando ela
expirou. Morreu, enfim, sem nada dizer de suas disposições testamentárias. Não era
preciso; todos sabiam que ela tinha o testamento em poder de um velho amigo de
seu marido.
D. Venância nomeou Emílio seu
herdeiro universal. Aos outros sobrinhos deixou um razoável legado. Marcos
contava com uma divisão, em partes iguais, pelos três. Enganara-se, e filosofou
muito sobre o caso. Que havia feito o irmão para merecer tamanha distinção?
Nada; deixara-se amar apenas. D. Venância era a imagem da fortuna.
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Nota:
Texto-fonte: Publicado originalmente em Jornal das Famílias, abril, 1878.
Texto-fonte: Publicado originalmente em Jornal das Famílias, abril, 1878.
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